Perdas necessárias


Olá querido blog!

Tendo como base o livro, Perdas Necessárias, da autora norte-americana Judith Viorst, quero falar um pouquinho sobre esse assunto tão pertinente. Perdas essas que em alguns momentos nos faz resignar e em outros nos faz questionar, "dramar" e até exigir o que nos é "tirado" (perdido) ao longo da vida.

Longe de mim querer discorrer de forma analítica e profunda sobre o livro. As próximas ideias e palavras que escreverei será algo muito particular, das minhas vivências, leituras e quem sabe muito democrática até no ponto de vista de comungarmos das perdas globais, inevitáveis. Como morte, perda de amor, cargo e etc.

É bem paradoxial o título utilizado no livro, Perdas Necessárias. Como pode algo que me é negado, tirado, ser necessário?




Necessitamos perder para ser, realizar, racionalizar, amadurecer e dar seguimento a uma vida em que é errando que se aprende, ou por que não dizer que é perdendo que se cresce e nos tornamos mais independentes?

Judith no livro fala da maior das maiores perdas, que é a separação do filho(a) da mãe no momento do parto (Perdoem-me, quanto a ambiguidade...rs). Somos expulsos na marra pelo corpo de nossas mães, e quando isso não acontece, uns humanos cortam nossas mães e nos tiram de lá. Esta é considerada a nossa primeira perda. Quando não nascemos prematuramente, passamos 9 deliciosos meses, sendo envolvidos pela placenta de nossas mães, mergulhados no líquido amniótico, nos banhando, nadando e comendo. Tudo era tão simples, complexo. Mas até então não perdíamos. Só ganhávamos.

Depois que nascemos começamos a perder. É sempre um dia a menos de vida. As mães, embora muito atenciosas e solícitas aos nossos resmungos e manhas, já driblam o tempo para conciliar à chegada do bebê, com a sua individualidade enquanto mulher, o ciúme do marido -quando tem-, com o trabalho, com os afazeres do lar. É claro que nem todas têm estas duas últimas preocupações, mas a grande maioria rala, e muito, para criar seu filhotes e se dividir em mil para desempenhar as outras funções.

Como o ser humano é mimado, carente, dependente de outro ser. É aí, que entra a necessidade de se perder para crescer. Perdemos para crescer, para ir à luta e para também, se ter a ideia de que nada dura para sempre e com isso, zelarmos pelas coisas, pessoas e pelas situações enquanto a temos.
Vocês se lembram da primeira ida ao coleginho?
Não. Eu também não. Ainda bem! Imagina a cena: a mãe, o pai, a avó, ou de repente os pais te levando para um lugar onde encontrarão um monte de crianças estranhas, tendo que conviver e reaprender novos hábitos. Estes de cordialidade, de partilha e sobrevivência...rs



Mas se todas as perdas fossem às citadas acima até que seria fácil. Conforme vamos crescendo as perdas vão se tornando mais crúeis. Acredito que pelo simples fato da consciência, a maturidade traz a dor e o entendimento em que não temos na infância.
Existe também a perda platônica, esta geralmente sofrida na adolescência, chorar a perda do amor que nunca teve. Lembro-me como se fosse hoje daquela dor pelo amor não correspondido; tantos choros e resmungos para crescer. O universo me negou a reciprocidade daquele amor, tá valendo! Eu cresci com isso.

A gente se perde muito pelo caminho, não é?
Às vezes queria voltar à minha adolescência para rever pessoas tão especiais que ficaram perdidas no tempo. Saudade das amizades tão sinceras e gostosas que deixei em algum lugar da minha vida, em algum momento. Você acha que pode abraçar o mundo, manter contato constante, pois tem como aliado os meios de comunicação. Mas quando você se dá conta, já perdeu o contato. Nossos ciclos de amigos vão se fechando forçadamente por conta do trabalho, faculdade e até mesmo por conta da nossa localização geográfica.

Quantos empregos perdidos. Decepcionei e fui decepcionada, mas tudo para um crescimento, sair da estagnação, do comodismo.
Quantas vezes nos pegamos falando: Há males que vem para o bem!
E vem mesmo.

É engraçado o que vou falar mas consigo ver a cada dia que acordo uma ruguinha diferente, a danada da oxidação! É um dia a menos, é uma ruga a mais, porém tenho a maturidade e a sabedoria, ainda que pouca, para lidar com as perdas, seja de um amigo, seja de um ente querido, seja de uma promoção, seja da juventude que se esvai, seja a notoriedade...




As perdas como fonte de crescimento, always!

Com todas as perdas há uma grande vitória irrefutável e minimizadora, entre milhões de espermatozóides, UM conseguiu fecundar o óvulo, e eis que, nós, surgimos!

Apesar das perdas, sempre vencedores!!!

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