PREY - Vingança, traição e inabilidades |CONTÉM SPOILER|
Alguém aí já assistiu o filme PREY?
Um filme que a princípio prende sua atenção, com boa fotografia, rostos incomuns no cinema, língua que nos tira da nossa zona de conforto auditivo pois o idioma original não é o inglês, nem muito menos espanhol e sim o alemão. Até um determinado momento o mistério do lugar, alguns rastros e a própria curiosidade, de quem assiste, vai tecendo e prolongando a atenção até o filme ruir de vez.
Vou falar sobre as temáticas que norteiam o filme e não sobre um olhar profissional da obra, mas SOBRE AS DORES trazidas pelo autor.
PREY significa PRESA. A tradução para o português ficou CAÇA INVISÍVEL.
A trama trata da perseguição de cinco homens por uma mulher misteriosa e sua espingarda.
A partir da morte violenta de sua filha por um visitante - que foi mostrada em flashes-, ela passa a matar todos os visitantes da floresta, num sinal claro de VINGANÇA.
Algo muito triste pois não traz sua filha de volta e ainda a transforma numa assassina fria, alguém que se tornou ainda pior do que quem causou a sua dor.
Essas são informações precisas que o filme no dá quase no seu fim. Numa ordem cronológica, são apresentados os cinco participantes, os disparos da espingarda, algumas pistas na floresta, o tiro de raspão em um dos personagens, a perseguição, a mulher, as fragilidades dos personagens e o motivo da mulher ter se tornado uma assassina.
Já deu para entender o nome do filme em português, correto?
Os homens, uma boa parte do filme, não sabiam quem estava atirando, os perseguindo.
O início da trama se dá com cinco amigos, nem tão amigos assim, explorando a floresta e o rio.
Entre eles existe uma relação de amizade e também profissional e há dois personagens que são irmãos e o mais velho, empresário, tem uma relação amorosa com a noiva do mais jovem que plenteia uma vaga na empresa empresa do irmão traidor. TRAIÇÃO.
Cinco homens, aparentemente bem sucedidos, bem habilidosos na área profissional, mas muito pouco preparados para uma caçadora em fúria e pouquíssimo conhecimento do perímetro explorado. INABILIDADES.
Aos poucos o líder da empresa foi se mostrando cada vez mais frágil, individualista e pouco solucionador de problemas e o filme foi desenhando muita instabilidade emocional e imaturidade. Essa parte em especial achei muitíssimo interessante pois nos mostra o quanto a nossa posição vai mudando na medida que somos expostos a algo que não temos a mínima afinidade. Cada um é líder no que domina. E numa situação de tensão tem mais vantagem quem tem maior controle emocional, a maior das habilidades.
Quando descobrem que a tal mulher é a responsável pelos tiros que são ouvidos na floresta e que no retorno deles ao carro acaba baleando um dos personagens, já é tarde. Nesse momento os cinco estão bem próximos dela e parece muito com o lugar que a filha foi morta. Algo me diz que seria um GATILHO. Como se aquele lugar fosse sagrado e quem pisasse ali seria sacrificado. O fato dela já ter atingido um deles, de raspão, antes me faz pensar que estaria enganada. Tenho dúvidas.
Ela sem piedade executa um e aí os outros correm e fica claro que deveriam tomar uma atitude, uma estratégia para sairem dali, com vida.
Cálculos errados, muita fragilidade, verdades sendo expostas -a traição do irmão mais velho com a cunhada- demonstram o quanto eles estavam incapazes de sair daquela situação.
A todo momento o que passava pela minha cabeça: quatro homens - porque um já havia sido morto- contra uma mulher com espingarda e nenhuma estratégia, nenhuma inteligência emocional, pelo contrário, só discussões e foi assim praticamente até o fim do filme.
Apesar de não ter gostado do desenrolar da história, acredito que a mensagem foi passada: vingança só gera mais dor, líderes de empresas são líderes de empresas e não necessariamente pessoas muito habilidosas em tudo, é importante traçarmos estratégias para sair de uma situação de conflito, trabalho em equipe é bem melhor do que cada um por si. inteligência emocional não faz mal para ninguém, usar sem moderação é a receita.

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